Não é a ideia do não fazer nada, do diletantismo coçante. O ócio desde os gregos é tempo pra estudar.

É ao contrario do nec-otium, que é justamente a falta de tempo para estudar, por conta de umas escolhas. Então é claro que o filosofo não só não é alguém vagabundo, no sentido contemporâneo, mas alguém que passa todo o seu tempo refletindo sobre as questões do seu mundo, do mundo contemporâneo, as questões concretas da vida e procurando para além das certezas que compartilhadas por todos, buscar reflexões que possam problematizar essas certezas e, com isso, alcançar, digamos, melhores certezas, certezas mais contributivas, para a nossa convivência, enfim, pra vida de cada um e assim por diante.


— Clovis de Barros Filho, em entrevista com Jô Soares.