Ouvir é acreditar
Em um impulso evolutivo em direção a eficiência, em vez de precisão, não desenvolvemos um alto grau de ceticismo quando nossas crenças eram sobre coisas que experienciamos diretamente, particularmente quando nossa vida estava em jogo — é melhor prevenir quando consideramos se devemos acreditar que o farfalhar da grama é um leão.
Infelizmente, a demanda atual por questionar uma enxurrada de informação mequetrefe, ainda segue esse sistema antigo — experimentar; acreditar que é verdade; e talvez e raramente questionar mais tarde. Não é preciso muito para qualquer um de nós acreditar em algo. E uma vez que isso acontece, proteger essa crença determina como tratamos as informações adicionais relevantes a ela — empurramos mais areia para o mesmo pote.
Queremos pensar bem de nós próprios, e sentir que a narrativa de nossa história de vida é positiva. Apostamos nelas, apostamos em nossas crenças e, é evidente, a maneira como as formamos tem consequências. Quem acreditamos que será o melhor presidente, quanto de gordura e proteína devemos consumir para nos tornarmos mais “saudáveis” o que é mais justo: depende das apostas que nossas crenças fazem. Temos aí um dilema, recusamo-nos naturalmente a atualizar nossas crenças e não há maneira de fazer com que nossa maquinaria cerebral funcione de maneira diferente, não importa o quão inteligente formos.
A esperança começa aqui.
Partindo da pergunta: “Quer apostar?”. Temos, então, a capacidade de atuar sobre nossas crenças e atingir aquele ponto que raramente chegamos “talvez e raramente questionar mais tarde a crença”. Bem, mas não é nada razoável esperar que todos desafiem uns aos outros a apostar em qualquer opnião — mesmo que de forma retórica. Seria difícil fazer algum tipo de amigo desse jeito. Então, partimos para a mudança de nossa própria maneira de pensar sobre as decisões que tomamos: treinando-nos a ver o mundo sob a ótica do “Quer apostar?”. E a pessoa que, no longo prazo, ganha as apostas é aquela cujas crenças são mais precisas e não eficientes.
O ideal é que isso nos estimule a examinar a crença:
- Como sei disto?
- Qual nível de qualidade das minhas fontes?
- Quanto posso confiar nelas?
- Minhas informações estão atualizadas?
- Quanta informação eu tenho que é relevante para a crença?
- Em que outras coisas como esta eu tinha confiança que acabaram não sendo verdadeiras?
— resumo adaptado de: Pensar em Apostas: Decidindo com inteligência quando não se tem todos os fatos - Annie Duke