No que se refere a nossas vidas nas circunstâncias atuais, parece haver um padrão de comportamento e de visão sobre o mundo e a maneira julgada adequada de se relacionar com ele: a espera do momento perfeito, do mapeamento e controle de todas as variáveis possíveis. Por óbvio — pelo próprio sentido da palavra “variável”: propriedade sujeita a modificações — parece incabível o controle absoluto sobre tudo. Por tanto, cabe buscarmos andarmos como se fossemos bêbados conscientes.

O estudo e a capacidade que nosso cérebro tem de tomar decisões com pouca informação do ambiente externo, parece ser a melhor ferramenta que dispomos. É estudando exaustivamente, de forma constante e ordenada, que chegamos ao ouro. Antes um cérebro exigido por tomar diversas decisões diarias com teor preocupante, e sem muitas ferramentas (memórias) as quais utilizar, agora dispõe (com o estudo), o ouro das conexões sinápticas. O que era antes uma pedra bruta, informações e conexões equivocadas e pouco funcionais, torna-se fino e mais adequado as diversas atribuições.

Agora, como proceder com uma enxurrada de informações de baixa qualidade na qual você nem se dá conta? Talvez você não tenha percebido que todas as informações que passam por suas periferias são usadas para a tomada de decisões e cálculos futuros. De valor ao seu tempo aqui e as coisas as quais quer conquistar. Trabalhe por você e pelo que enxerga no futuro, mas não esqueça: as mais impressionantes façanhas humanas são na realidade o amontoado de pequenas ações que, em certo sentido, nada tem de extraordinário. (Daniel F. Chambliss). Faça, faça o que é certo a se fazer e no momento que precisa ser feito fazer. A maturidade, em resumo, vem disso. Lidar com suas ações e, na maior parte do tempo, fazer o que precisa ser feito, não o que você gostaria de fazer. A qualidade de quem faz de forma não idealizada como perfeita, é muito maior do que quem só cogita.

É aí que sua predição de recompensa deve estar adequada. Somos ignorantes, queremos recompensas imediatas, com alto valor recompensatório e pouco esforço, é inerente a forma a qual evoluímos. Ou seja, associações erradas e/ou inadequadas ao contexto é uma das variáveis que pode lhe fazer parar de executar um comportamento; e também, seu estado fisiológico, a função atribuída ao seu comportamento e a organização da sua vida que corroboram com a decisão de fazer ou não. Quando digo sobre a função atribuída ao seu comportamento, leve em consideração que prazer não é o mesmo que recompensa: sua recompensa, a função do comportamento, pode estar atribuída a algo fútil para outras pessoas, é subjetivo, podendo prover de alegria onde dizem que não há.

Atribuir valor a coisas pequenas e controláveis, vão lhe fazer ficar menos disposto a frustrações. A frugalidade. É então que me parece ser interessante também, ter a capacidade de viver com muito menos: não há nada que te abale, você só quer o seu canto, teu trabalho, ter água e comida disponível e boas pessoas as quais contar. Pelo fato de vivermos em um ambiente muito fácil de conseguir essas propriedades básicas, esquecemos do valor que elas possuem. Não só pela facilidade, mas também pela obesidade dos sentidos que hoje tem-se, estímulos excessivos que inibem a nossa sensibilidade de sentir-se bem com pouco. Nosso sistema fisiológico, em boa parte, trabalha por alças de feedback inibitório, ou seja, quanto maior e mais frequente o estímulo menor será a “absorção” dele mesmo. A capacidade de viver com “muito menos”, pode referir-se também a recompensas subjetivas, como dito anteriormente, é ver alegria onde dizem que não.